60 anos de amor às revistas

Já na terceira geração de jornaleiros, banca Porta do Sol é destaque graças à grande variedade de títulos, meticulosamente dispostos na vitrine

Pedro Paulo de Luca e sua filha, Mariana (Stefano Martini/Total Publicações)

O italiano Salvatore de Luca veio parar no Brasil por necessidade: fugindo da guerra. Algum tempo depois, em 1967, ele montou um negócio que se tornaria um legado para sua família, a banca Porta do Sol, localizada no bairro da Tijuca, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro. O atendimento, sempre cortês, é 24 horas e não para em nenhum dia do ano.

A banca prospera na família há 60 anos. Salvatore ensinou o filho, Pedro Paulo, a cuidar do negócio desde criança. Hoje com 58 anos, “Paulinho” – como é conhecido na Praça Saenz Peña, onde a banca está localizada – é tido como o responsável pelo crescimento do comércio. Desde que assumiu a administração, foi movido por sua paixão por revistas: ele queria que as publicações tivessem destaque e fossem vistas de longe.

Para conquistar seu objetivo, Paulinho aumentou a banca de 12 para 18 metros quadrados. A prosperidade lhe permitiu ampliar ainda mais duas vezes: primeiro para 22,75 e depois 24 metros quadrados – o dobro da metragem original. Em 2002, tornou a banca 24 horas, para acompanhar a vida noturna da Tijuca. Também a transformou em uma grande vitrine de revistas variadas, meticulosamente arrumada. Cada título leva dois pregadores e um clipe, este na parte inferior da publicação, para não deixar “orelha” caso os clientes a folheiem.

A vitrine tem tanto destaque na rua que algumas empresas já tentaram anunciar ali. Mas Paulinho foi categórico: nenhum anúncio fora da banca é permitido, pois o destaque é exclusivo das revistas. “Poucas bancas vendem tantos títulos quanto a gente. Meu pai é um jornaleiro muito tradicional. Ele trata as revistas tão bem quanto me trata. Por isso mesmo, herdei essa paixão dele e desenvolvi um carinho indescritível pela banca”, conta Mariana, de 27 anos, filha de Paulinho e a mais nova administradora da banca Porta do Sol.

Integrante da terceira geração de jornaleiros da família, Mariana se formou em administração em uma universidade norte-americana, em 2015. Em junho deste ano, decidiu trabalhar na banca em tempo integral. “Quero continuar o negócio da família e ficar mais perto do meu pai, que ainda tem tanto a me ensinar. Sem falar que trabalhar na banca de jornal é muito legal! Sempre gostei e ajudei quando possível, na época da escola ou nos fins de semana. Já passei muito Ano-Novo e Carnaval trabalhando”, diz.

Apesar de ter “passado o bastão” para a filha, Paulinho não pretende se aposentar. Depois de 30 anos de trabalho, ele faz questão de manter seu ritual mais prazeroso: arrumar com zelo as revistas da banca todas as manhãs na vitrine. Um belo convite para quem passa por lá.